sexta-feira, 17 de março de 2017

Ministro da Justiça aparece em grampo de operação da PF

Em áudio interceptado pela PF na Operação Carne Fraca, 
Serraglio conversa sobre a fiscalização de um frigorífico no Paraná

  • O ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR), aparece em um grampo telefônico realizado pela Polícia Federal (PF) durante as investigações da Operação Carne Fraca, deflagrada na manhã desta sexta-feira, que investiga a venda de carnes por grandes frigoríficos por meio de pagamento de propinas a fiscais.
Na gravação, Serraglio conversa com o superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná entre 2007 e 2016, Daniel Gonçalves Filho. No diálogo, Daniel é informado pelo ministro sobre problemas que um frigorífico de Iporã, no Paraná, estaria tendo com a fiscalização do Ministério da Agricultura.

Frigorífico foi maior doador da campanha de Serraglio em 2014
JBS liberou R$ 200 mil para o atual ministro da Justiça na disputa à Câmara dos Deputados
  • O frigorífico JBS foi o principal doador da campanha do então candidato Osmar Serraglio (PMDB) nas Eleições 2014, de acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Na ocasião, o atual ministro da Justiça disputava uma vaga na Câmara dos Deputados e, por isso, recebeu R$ 200 mil da empresa. 
A doação foi feita, via transferência eletrônica, da empresa para aa direção nacional, sendo que o destinatário final era Serraglio. Ao todo, o peemedebista conseguiu juntar R$ 1.495.649,45 na campanha eleitoral daquele ano.
Serraglio apareceu em grampo da PF em diálogo com o líder do esquema criminoso que adulterava produtos alimentícios.
O delegado da PF (Polícia Federal) Maurício Moscardi Grillo afirmou nesta sexta-feira (17), em coletiva de imprensa em Curitiba (PR), que parte do dinheiro arrecadado pelo esquema de corrupção envolvendo fiscais e maiores frigoríficos do País abastecia o PMDB e o PP.
— Dentro da investigação ficava bem claro que uma parte do dinheiro da propina era, sim, revertido para partido político. Caracteristicamente, já foi falado ao longo da investigação dois partidos que ficavam claro: o PP e o PMDB.
O esquema de corrupção foi descoberto pela Operação Carne Fraca, a maior da história da Polícia Federal realizada até hoje.
Em nota, a JBS informou que sua sede não foi alvo da operação da PF e repudiou o uso de produtos irregulares em produtos alimentícios (leia a nota abaixo).

"COMUNICADO JBS
Em relação a operação realizada pela Polícia Federal na manhã de hoje, a JBS esclarece que não há nenhuma medida judicial contra os seus executivos. A empresa informa ainda que sua sede não foi alvo dessa operação.
A ação deflagrada hoje em diversas empresas localizadas em várias regiões do país, ocorreu também em três unidades produtivas da Companhia, sendo duas delas no Paraná e uma em Goiás. Na unidade da Lapa (PR) houve uma medida judicial expedida contra um médico veterinário, funcionário da Companhia, cedido ao Ministério da Agricultura.
A JBS e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas.
A JBS no Brasil e no mundo adota rigorosos padrões de qualidade, com sistemas, processos e controles que garantem a segurança alimentar e a qualidade de seus produtos. A companhia destaca ainda que possui diversas certificações emitidas por reconhecidas entidades em todo o mundo que comprovam as boas práticas adotadas na fabricação de seus produtos.
A Companhia repudia veementemente qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos – seja na produção e/ou comercialização - e se mantém à disposição das autoridades com o melhor interesse em contribuir com o esclarecimento dos fatos. 

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